terça-feira, 28 de junho de 2011

Macarrão para um


Junte cem gramas de farinha de trigo, um ovo, amasse bem e deixe descansar alguns minutos. Depois abra a massa com um rolo e corte em tiras finas. Deixe secar por um quarto de hora, polvilhado com farinha. Cozinhe até ficar ao dente. E pensar que passei a vida inteira achando que fazer massa de macarrão era um bicho de sete cabeças! Por que não ensinam isso nas escolas em vez de ficarem enchendo o nosso saco com o peso atômico do alumínio entre tantas outras irrelevâncias acadêmicas?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Moray

Google Earth

Moray é um parque arqueológico peruano, 50km a noroeste de Cuzco, situado em um platô a 3500m de altitude, a oeste da aldeia de Maras. O sítio contém ruínas incas incomuns, a maioria conformando imensas depressões circulares escalonadas em terraços de cultivo, a maior delas com cerca de 30m de profundidade. O propósito dessas depressões é incerto, mas sua profundidade e orientação em relação aos ventos e ao sol criam diferenças de temperatura de até 15 °C, entre o topo e o fundo. Possivelmente, essa grande diferença de temperatura foi utilizada pelos incas para estudar os efeitos de diferentes condições climáticas nas plantações. Em outras palavras, Moray provavelmente era um laboratório de experiências agrícolas. Assim como muitos outros sítios incaicos, Moray também tinha um sofisticado sistema de irrigação.” Wikipedia

Se, por um lado, os Incas impunham aos súditos um regime de virtual escravidão, por outro garantiam boa qualidade de vida para todos. É verdade que os senhores de Cuzco não agiam assim por mera e desinteressada boa vontade. Eles sabiam que um povo mal-alimentado não produzia adequadamente e, portanto, não gerava os excedentes necessários à manutenção de elites abastadas. Mas não seria exagero afirmar que não havia fome na América Andina antes da chegada dos espanhóis e que talvez nunca tenha havido império de gente mais bem nutrida em toda a História da humanidade.
Tamanha prodigalidade pode levar o leitor a pensar que o território sobre o qual os incas estenderam os seus domínios era um tipo de paraíso terrestre, o que está longe da verdade. Citando o economista francês Louis Baudin, “ali tudo era inferior, exceto o homem”. Do litoral árido, em permanente estiagem, às estepes geladas do altiplano, não havia um único terreno em todo o Império que pudesse ser chamado de adequado à agricultura em larga escala. Para conseguir o milagre da abastança, os povos andinos foram obrigados a prover, com muito trabalho, aquilo que a natureza lhes negava.
Enganam-se também os que pensam que os incas eram meros produtores e distribuidores de alimentos ao atacado. Tubérculos e grãos não passavam do combustível de sua gigantesca máquina política. Grosso modo, o Tahuantinsuyu era um império movido a batata. Mais que isso, porém, era uma imensa fábrica especializada em transformar trabalho em civilização.
Os extensos contingentes de mão de obra à disposição do Inca não só garantiam a produção de excedentes agrícolas e bens de consumo, como também a realização de obras públicas de grande envergadura como cidades, estradas, aquedutos, silos e templos — além, é claro, de permitirem a expansão do Império, graças à manutenção de exércitos numerosos, praticamente imbatíveis e permanentemente renováveis.
Metodificando e aperfeiçoando a milenar experiência agropecuária andina, os sábios incas conseguiram avanços sem precedentes no campo da agricultura, da bioquímica e da genética, criando um sofisticado modelo físico-matemático-biológico da natureza — natureza que estavam a ponto de compreender e dominar quando o seu imenso jardim de experiências foi subitamente atropelado por uma horda de bárbaros desnutridos com gengivas apodrecidas de escorbuto.

À primeira vista, Moray não era muito diferente de outras pequenas comunidades agrícolas do Vale Sagrado. Espalhava-se por uma fértil planície, a mais de três mil metros de altitude, caprichosamente debruçada sobre o rumoroso Urubamba. As casas eram simples, de adobe e palha, e havia meia dúzia de depósitos públicos, tão modestos quanto era modesto o povoado.
Contudo, em comparação à urbana Cuzco, de montanhas estéreis e acinzentadas, Moray gozava de paisagem privilegiada. Dali, podiam-se observar os nevados da Cordilheira Oriental, ciclópica muralha a separar o corredor andino dos baixios amazônicos. O vilarejo era cercado de colinas de suaves e floridas encostas, cortadas por amplos patamares de cultivo e bem-cuidados canais de irrigação.
Rural, pastoral, singela, engastada em meio a uma paisagem de sonho, Moray de fato não passaria de mais um modesto vilarejo perdido no meio da Cordilheira dos Andes, não fosse engendrada ali a grande mágica do Tahuantinsuyu.

Google Earth/Panoramio
A vila era habitada por uma elite de sábios-agrônomos, os eminentes pachamamata ruruchinampacs, um número reduzido de discípulos cuidadosamente selecionados nas escolas de Cuzco e uma população heterogênea de camponeses yanas de diversas origens, que habitavam uma comunidade-modelo no interior do grande complexo.
Em Moray, trabalhava-se em tempo integral e não se falava de outra coisa senão de sementes, brotos, espigas, raízes, adubos, podas, irrigação, aquedutos, meteorologia, instrumentos agrícolas, combate a pragas e outros assuntos relacionados ao “fazer germinar a terra”. A discussão teórica era inevitavelmente complementada pela experiência prática, e não havia engenheiro agrônomo que saísse dali sem ter as mãos calejadas pelo arado, conhecendo todas as benesses e agruras da vida camponesa.
Moray era também uma fantástica usina de engenharia genética. E, apesar da modéstia do casario de adobe, o centro era caracterizado por um prodígio arquitetônico digno de figurar entre as Sete Maravilhas do Mundo.
O complexo situava-se a meia hora de caminhada do povoado e compreendia quatro curiosos conjuntos de patamares de cultivo que, em vez de seguirem as encostas das montanhas como os patamares tradicionais, ornavam o interior de profundas crateras artificiais, em círculos concêntricos regularmente espacejados que, em vista aérea, lembram arquibancadas de um anfiteatro de gigantes.
  Cada um desses conjuntos de patamares circulares era irrigado por uma complexa rede de aquedutos e dispunha de sistemas de drenagem que não permitiam a formação de poças ao fundo das crateras. Dada a diferença de altura e o seu formato, cada patamar simulava um microclima particular, o que permitia a criação e a aclimatação de novas cepas de vegetais, perfeitamente adequadas às regiões do continente a que eram destinadas. Ali foram engendradas centenas das seiscentas e tantas variedades de batata que existiam no Tahuantinsuyu e sabe-se lá quantas variedades de milho, além, é claro, de novos protótipos de coca, originalmente amazônica, então já devidamente aclimatados às altitudes andinas. (...)
  Mas não nos detenhamos na descrição pormenorizada dos longos anos de estudo que transformaram o jovem Lloque em um experiente administrador estatal. Digamos apenas que foi instruído em procedimentos agrícolas sofisticados, como o uso de fertilizantes e técnicas para acelerar a germinação das sementes; que aprendeu a prognosticar mudanças climáticas com enorme antecedência e com uma precisão de fazer inveja aos nossos mais sofisticados serviços meteorológicos; que se especializou na construção de aquedutos, canais, represas e poços artesianos; que se familiarizou com métodos de conservação, armazenamento e transporte de alimentos, construção de silos, terraplenos e terraços de cultivo.
  Digamos que, por fim, acabou compreendendo a grande dança da redistribuição de excedentes, as complexas leis de reciprocidade em vigor no Império e o modo de usar a produção para manter o grande sonho do Tahuantinsuyu — sistema do qual acabaria se tornando um dos principais e mais ativos colaboradores.
Inca, Alexandre Raposo, Record, 1997

terça-feira, 21 de junho de 2011

Como nascem os gigantes

COLÉGIO ANDREWS, PRAIA DE BOTAFOGO, Rio de Janeiro, 1971. Um ano após a conquista do tricampeonato mundial na Copa do México, o Brasil era, mais do que nunca, o país do futebol. E apenas do futebol. Nas ruas, nos bares, nos recreios escolares, só se falava do escrete canarinho que arrebatara definitivamente a Taça Jules Rimet, de uma vez por todas sublimando o grande trauma do marcanazo de 1950 e "consolidando nossa hegemonia sobre as demais nações do planeta", como alardeava o exagerado locutor de famosa, embora hoje extinta, rádio metropolitana. Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho e Gerson eram os grandes heróis de moleques pré-adolescentes como eu, muito carentes de ídolos e ideais naqueles tempos sombrios de ditadura, censura e feroz repressão.
  Contudo, havia entre nós um menino que destoava da imensa maioria e que, embora também vibrasse com a recente apoteose esportiva em campos mexicanos, não tinha a mente voltada exclusivamente para as coisas do futebol. Alto, louro, olhos claros, era alvo de olhares apaixonados de todas as garotas da escola e exercia uma liderança natural sobre os demais colegas de turma. Era ótimo aluno, freqüentemente recebendo a nota máxima nas provas e trabalhos escolares. Aos nossos olhos invejosos era, também, um excêntrico irremediável. Em uma época em que o sonho de consumo de nove entre dez garotos de nossa idade se restringia a uma bola Dente de Leite, um tênis Kichute e um jogo de camisas "oficiais", aquele menino bonito, estudioso e carismático sonhava apenas com o dia em que a direção do colégio, cedendo aos seus insistentes apelos, estenderia uma rede de vôlei em nossa quadra poliesportiva — que, entretanto, só servia para a prática de desajeitadas peladas de futebol de salão.
  Enquanto esperava a rede e a bola, que nunca vinham,  virava-se como possível. Não tem rede? Tudo bem. "Arrastamos a trave de futebol até o centro da quadra e usamos o travessão como linha divisória entre os dois campos de jogo, entendeu pessoal?"  A princípio, ninguém entendia coisa nenhuma. "Hein?... E a bola?" queixava-se um colega de pouca fé. "A bola?" respondia ele,
brilho obstinado nos olhos. " Ora, a bola a gente inventa," E punha-se a recolher copos de papel pelo pátio da escola. "Pirou de vez", comentava outro incréu. "Já começou a catar lixo, olha só!" 

De repente, porém, lá vinha ele de novo e, agora, com a bola pronta, que improvisara introduzindo um copo dentro do outro, dentro do outro, dentro do outro, e envolvendo todo o conjunto com um resto de fita adesiva que conseguira no almoxarifado da escola. E o jogo começava. Milagrosamente.
  A maioria daqueles moleques nunca vira um jogo de vôlei na vida, mas o colega era um obstinado e, pacientemente, explicava a todos os fundamentos do novo esporte. Saque. Defesa. Levantamento. Ataque. Bloqueio... Aprendiam os que estavam em campo; e aqueles que se reuniam para assistir as partidas. Sem perceber, fomos pouco a pouco apresentados ao novo esporte, e aprendemos a reconhecer sua graça e beleza. 

  Naquele remoto 1971, eu ainda não era o hippie de boutique em que começaria a me transformar já no ano seguinte, mas não era um sujeito muito "esportivo" e jamais participara de uma daquelas partida de vôlei com trave de futebol de salão e bola feita com copos de papel. Ainda assim, gostava de assisti-las à distância e acompanhar a "evolução técnica" —  por assim dizer — daqueles jovens e improvisados atletas. Principalmente, impressionava-me a obstinação de seu líder. E embora ainda o achasse um excêntrico incurável, algo dentro de mim já dizia que aquele garoto era um vencedor nato e, certamente, estava fadado a grandes destinos.
  O que eu jamais poderia imaginar era que estava assistindo, ali, naquele momento, ao nascimento de um gigante do esporte nacional. Alguém que faria pelo vôlei brasileiro  mais do que Charles Müller fizera pelo futebol. 

  O que nunca poderia passar pela minha cabeça era que, naquela singela quadra de recreio escolar, testemunhava à gênese da Geração de Ouro do volêi brasileiro e assistia ao marco zero da carreira esportiva de um nome que trouxe mais títulos internacionais para o Brasil do que Pelé, Ronaldo e Romário juntos em um mesmo saco de medalhas.
  O resto da história todo mundo conhece. Tornou-se História com H maíusculo, gravada a ouro prata e bronze na memória esportiva nacional. 
  Por isso, nos dias de hoje, toda vez que vejo meu bom colega de escola, Bernardo Rocha Rezende, esbravejando com seus jogadores em quadra, exigindo-lhes as tripas em troca da vitória, não consigo deixar de sentir um tremendo orgulho por, inadvertidamente, ter sido testemunha do começo de tudo aquilo: uma trave de futebol de salão no meio de uma quadra de escola, uma bola feita de copos de papel... e um sujeito exemplar, determinado a transformar em realidade sonhos aparentemente impossíveis. 

sábado, 18 de junho de 2011

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Gorducho baixinho de pinto pequeno 
vende mesa de jantar de gosto duvidoso.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Piadas ilustradas III


Ó Joaquim, tu não te esqueças da camisinha 
que não estou a tomar a pílula, viste?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os portões de Mordor

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A foto acima não é uma cena do filme O Senhor dos Anéis. Em realidade, trata-se da explosão de um vulcão chileno que permaneceu inativo nos últimos 9 mil anos. Os raios fantasmagóricos que emergem por entre as nuvens de metal liquefeito não são efeitos especiais. Em realidade, são resultado da colisão de fragmentos rochosos, cinzas e partículas de gelo no interior da coluna vulcânica. Os cientistas as chamam de "tempestades elétricas sujas", em contraponto com as limpas, que são resultado apenas da colisão de partículas de gelo em suspensão na atmosfera.

Par perfeito

Linda in Rio (Last Part)


After Linda’s fit, things became a bit calmer. The shooting subsided. The negotiations started. One of the guys with a AK47 turned to me and said: “That was good. But, please, hold your wife’s chicken, man. She is completely insane.” In Portuguese “to hold someone’s chicken” means “to restrain or calm down a person who is out of control”. 
It was a long night. Nobody slept in the classroom. The kids were hungry, so they sent us pizzas. Linda went back to the window and tried to negotiate a few Big Macs, but the cops were firm and told her to shut the fuck up. “I’m gonna starve up here” she complained. “This carioca pizza is disgusting. And who asked for alici for Christ sake?”
Morning came and went. The traffic kids demanded an armored car, bullet proof vests and a few grenades. The cops offered rendition and the visit of a  social worker. Impasse.
Around 3:00 p.m. we heard a familiar voice echoing in the megaphone: “Linda? Linda my darling, are you there? If you are, please tell Charlie that he is a dead man! I give my word on it.”
I don’t know how Steve managed to come to Brazil that fast. Linda say, and I fully believe in her, that he has connections in the State Department. “Possibly they put him in a private jet.”
Everything became black before my eyes. I could stand the favela tour, the shooting, the traffic kids, the police, the hard floor, the alici pizza. But nothing could prepare me for Steve’s anger. Trembling, I went to the window. But didn’t stay there for too long. Just time enough to see Steve trying to snatch a cop’s rifle to shoot me in the head.
“Shit!” I said. “Your dad is completely out of his mind! You must tell him that the favela tour was your idea!”
“Me? Tell him? No way. You don’t know dad when his is in a rage.”
“He said he is gonna kill me!”
“So, pray for a merciful death.”
Obviously, the negotiations wouldn’t take us anywhere. Nobody would yield an inch in their positions. So I had an idea.
“Tell me kid,” I said to one of the traffic soldiers. “Is there anyway you could get rid of your weapons?”
The boy smiled a bitter smile.
“Of course, pal. As soon as we finish you all.”
“No, I said. “You don’t understand. Look: without the weapons, you are regular kids like any other is this classroom. When the cops invade, they would just find some students, a teacher and two gringos babacas. Got it? Everybody would be safe and free. We can tell them the bad guys escaped…”
The boy was a drug dealer, but he wasn’t stupid. He liked the idea and shared it with his bothers in arms.
I’ve never seen someone disassemble an automatic rifle that fast, and in so many pieces. Don’t ask me what they did with the parts. The fact is that, when the men in black invaded the classroom, they found nothing but what we wanted them to find: innocent hostages... and a couple of starving gringos in the wrong place and time. Nobody died, nobody got caught. The ordeal was finally over. Tell me about the mineiro knack to settle things down…

Steve didn’t kill me. Not that he didn’t wanted to. When I fell knocked out in the favela floor, he was about to kick my head out of my neck when a cop intervened. It was a BOPE captain, sort of a SWAT team leader. It seem that him and Steve became good friends during the siege.
Next morning, I woke up in Linda’s nightmare: a public hospital in Rio’s suburbs. The Mac Donald’s smell in the room was even worst than the stink of formaldehyde and rotten meat.
“Rise and shine, baby!” said Linda.
I turned my face to one side just to see Linda and her mother, Susan, surrounded by piles of boxes of sandwiches and French fries.
“You were right, darling,” said Susan, unaware of my awakening. “Brazilian Big Macs are delicious!”
“And you should try the fish fillets!” answered Linda. “They are superb!”
“Lets get out of here,” I grunted. “This place is more dangerous than the favela we’ve been, believe me!”
“Hi, Charlie!” said Susan with a mouthful of fries.
“Hi mom…”
“Steve is really pissed off, you know.”
“Yeah. I got it on the first place.”
“But I managed to convince him not to kill you” she continued. “Not today, at least.”
“You are very kind, mom.”
She had a sip of Coke and said:
“But tomorrow you both have to return with us to the USA.”
“Oh, no! We were about to go to my hometown so Linda could meet my mom…”
“Forget it” said Linda. “If we do so, Dad would probably nuke Governador Valadares.”
“I already talked to Mrs. Costa,” said Susan. “Actually she is on her way to Rio right now. Steve invited her to visit. She will be our guest in NY for a couple of days.”
It wasn’t perfect. But it was better than I could expect. Back to the hotel, Linda and I slept the whole afternoon dreaming of flying bullets and desperate faces. It was about 9:00 p.m. when Linda woke me up.
“Hey, Charlie,” she said. “It is our last night in Rio.”
“And so what?” I grunted.
“And I was thinking if we couldn’t go out a bit. I am in the mood of drinking one last caipirinha for the road.”
I thought about answering: “not even fucking”, but I know how my wife is when she wants something, so I agreed.
“Dad in the hotel bar downstairs with that SWAT leader. If we are fast, we can make it.”
It was a risky business, but I was also in the mood of having a last taste of Brazil before returning to the States. We took the elevator, got to the lobby, waited for an opportunity and, in good timing, managed to cross in front of the bar door without being seen. As I did it, Steve was saying to the cop:
“And so, Nascimento. I’m sure you got enough of hearing about my good old days in Vietnam. Why don’t you tell me one of your stories instead?”
And the BOPE captain started: 
“There are over 700 slums in Rio de Janeiro. And most of them are ruled by drug dealers armed to their teeth. Niggas carry AKs, Uzis, AR-15s... You name it. Around the world such weapons are used to make wars. Here, they’re in the hands of thugs…”
“What?” said Linda. “Do you wanna join them or what?”
I looked to my wife, smiled and said:
“No, dear. Thanks. I’ve already seen this film.”


THE END

domingo, 5 de junho de 2011

Linda in Rio (Part III)


The favela tour was Linda’s idea. And I will die saying it, no matter what Steve think or rave about. “Your girl is fuckin’ insane!” That’s what I said to him next time we met, just before he KO me with a hook on the tip of my chin. Come on guys! Do you really think I would take my wife for a tour inside the biggest slum in Latin America? Of course not. That day, I was thinking about walking leisurely along the Copacabana beachfront, drinking coconut milk and relaxing amidst the palm trees.  But Linda… well, you already know how she is.
“Alfredo is gonna pick us up at 9:30 a.m. Sharp.”
“There’s no such a ‘sharp’ thing here in Rio, darling. You should be used to it already.”
“Anyway,” she continued, “he said he would be here about 9:30 a.m. More or less.”
“I’m sure it will be more. Believe me. Give him at least a quarter of hour credit.”
At 9:30 a.m. the phone rang. Sharp. Linda looked at me with a triumphant smile. She answered the phone. Listened. Hanged up.
“It was Alfredo,” she said.
“And?” I yawned.
“And he said he will be half an hour late.”
“Ha!” I blurted. “Potato!”
“What?” asked Linda, confused.
“Just another Brazilian expression meaning something like ‘as I’ve said before.’”
The favela tour was exactly what I thought it would be: boring. Very, very boring.  There’s no variety in poverty. It is the same all over the world. Dirty, thin, weakened. But I have to confess that I got a bit impressed with the late developments. When I was a boy, favelas were built with crate wood and thin. Now, every house was built in concrete and they have schools, supermarkets, ATMs, clinics, every modern comfort you would find in any Tijuana neighborhood. I’m sure Linda was hating the tour as much as I was, but she kept acting as if she were in heaven.
“Look at that pig! How fat it is!”
“That’s not a pig, darling. It’s a rat.”
Very didactic, Alfredo explained that it was a “pet rat”.
“A pet rat?”
“Yes. To avoid the cats and other intruders.”
We were visiting a school when the shooting started. At first, just fireworks. A moment latter, the real stuff. Automatic weaponry, grenades. Alfredo looked at me and muttered:
“T-that’s not fair! They didn’t warned me of any police raid today!”
I was about to tell him that police raids, to be effective, generally are secret and unannounced when a burst of machine gun fire swept the blackboard.
“Routine!” cried a desperate teacher. And every kid in the class laid down on the floor.
A moment latter, the class was invaded by three teenagers armed with automatic pistols and AK47s. Traffic soldiers, no less. They went to the window and answered the police fire in short, trained, one at a time bursts of gunfire. Very cold blooded. Very professional.
“Surrender!” cried a voice outside.
“Not even fucking!” answered one of the kids, which in Portuguese mean something like “You’ll bet, asshole!”
The same guy turned himself to the teacher and said:
“Sorry, auntie. I couldn’t finish my homework yesterday.”
“Never mind!” cried the woman in panic. “You can bring it on Friday!”
Another exchange of gunfire. Another pause.
“Could it be computer printed or should I write it down myself?”
“Whatever, kid!” answer the teacher. “It’s the intention that matters!”
The police fire became more intense.
“Hey, pricks! We have hostages!” cried one of the boys by the window. “At least twelve students, a teacher… and a couple of gringo assholes!”
 If there were only the twelve students and the teacher, everything would finish well. But the two “gringos babacas” added an extra flavor to that routine operation. Rede Globo and Bandeirantes arrived first, but CNN was right on their tail. And BBC, UP, AP, Reuters, whatever.
I guess it was exactly when the last TV crew arrived that Linda got mad. Until then she was absolutely mute and still, trembling under my weight. But, then, after another routine burst of police gunfire hit the sill, she stood up, went to the window and start yelling:
 “Are you fuckin’ nuts you motherfuckers? There are women and children up here!” The gunfire ceased immediately. Absolute silence. Everybody was completely stunned by my wife’s display of bad temper. “Hey dumbasses, Your birth certificates are apologies from the condom factory! What are you up to? If you were twice as smart you still would be absolute jerks! Hold your fire and stick your thick rifles up your fat asses! You are the biggest bunch of idiot, retarded, douchebag imbeciles I ever met!”
That’s Linda in her best. Now you can imagine why the Puerto Ricans in our former job hated her.
(To be continued...)

Linda in Rio (Part II)


“I’VE GOT ENOUGH OF NUDIST CAMPS said Linda. “When are you going to take me to a regular beach?”
   We were in Ipanema surrounded by local beauties in thongs. Compared to Linda’s swimsuit, big as a master sail of a cruise ship, those girls were virtually naked. I have to confess that I was as shocked as she was. It’s been a long time since I’ve been in
Rio for the last time and I’ve forgot how Brazilian women undress to go to the beach.
   “Look at it! “she said, pointing to a teenager with a dental floss across the crack of her buttocks. “If it were in the
USA, she would be in jail. As those grownup idiots staring at… Hey!” she slapped one of my thighs. It hurt. “Don’t ogle!”
   “But you called my attention…
   “You wasn’t supposed to look anyway. This is disgusting. Did she need to be so perfect?”
   “I guess…”
   “Shut up. It was a rhetorical question you moron.”
   It’s been a long week, full of enchantment and surprises. As every North American tourists spending their holydays in
Rio, we went to the Corcovado, to the Sugar Loaf, took a tram in Santa Teresa and were robbed by a bunch of street boys in Lapa, a bohemian neighborhood in Rio downtown. I got really pissed off but Linda didn’t care.
   “For someone who lived in the
Queens for so long she said,
you were supposed to be used to this. Besides, did you see? they were all smiling! Very nice kids, I guess. One of them even called me 'madam'” “Actually, the kid said “Hey madam, give me your fuckin’ dollars or I will chop off your face!” But Linda didn’t seem to understand the last part. “I don’t remember the last time someone called me madam. If ever.”
   Latter on we went to a rodízio barbecue place, were Linda made me very ashamed asking the waiter if they didn’t serve hamburgers in that “damn joint”. For my surprise, the waiter not even blinked and returned a few minutes latter with something Linda said was the best burger she ever had since she went to
Texas when she was a teenage. It was the most expensive cheeseburger I ever paid in my life, but it worth every bit of it.
   Food was an issue. For instance, Linda refused to eat feijoada, our national dish. “If you like to eat molten blacktop, that’s your problem, not mine. And… what’s that? Did I see a pig’s foot floating in that kettle?” She loved
Rio’s McDonalds: “Don’t know why, but Big Macs are tastier in Brazil.” but hated every pizza place we went: “If you ever serve a pizza like this in the USA” she said, “You gonna get shot like a mad dog.”
   In our first Saturday in
Rio, we went to a lambada place, for dancing. We didn’t dance at all but Linda had six caipirinhas in less than two hours and we ended up in a public hospital, my wife in the verge of a coma. Next day, she moaned: “Was I hit by a truck last night? Hell, I had the worst nightmare of my life. I dreamt I was in a dirty public bathroom full of people in the corridors attached to IV tubes.”  It wasn’t a dream, I knew. But I made no comments.    
   For some perverse reason, Linda loved
Rio’s buses: “It’s like to be in a rollercoaster without rails were anything can happen!” But had some trouble with the local traffic. She never understood why cariocas don’t stop at the stop signs in the crossings or why they don’t respect red lights after midnight. “They are afraid of being robbed while waiting for the green light” I explained. Then she asked me to stop at the next red light, so she could be called “madam” again. “Brazilian thiefs are so polite…”
   One morning, Linda was in the bathroom having a shower when the phone rang.
   “Hello?” I answered.
   “Hi Charlie!” said the voice on the other side. “It’s me, Steve.”
   “Hi Steve, what’s up?”
   “Nothing much. Just checking. Is Linda there?”
   “Actually she is having a shower.”
   Silence in the other side.
   “Steve, are you still there?”
   “Listen carefully you damn Victor Charlie: if something bad ever happens to my daughter, you dead meat, comprende?”
   Silence on my side.
   “And not even think about escaping to the jungles. I can hunt you there as well. Don’t forget I’m trained for search and destroy missions in the wilderness.”
   I took the phone to the bathroom.
   “Linda my dear! It’s your dad on the phone!”
   “Hi dad! “she cried under the shower. “The VC left the building!”
   I hanged up and asked:
   “What’s this nonsense of ‘the VC left the building?’”
   She laughed and said:
   “It’s a code he forced me to memorize. It means that I am being well treated and not being forced to do anything I don’t want to.”
   “And why he insist on calling me Victor Charlie, for Christ sake?”
   “It’s a military code for 'Vietcong'. That hat you used on your first visit, remember? Dad is a shell-shocked vet. He will never forget.”
(To be continued...)

sábado, 4 de junho de 2011

Linda in Rio (Part I)


MY ENGLISH IS STILL A MESS, but since those crazy guys in A Semana started publishing my stories, everything changed in my life. I started making lots of money — at least more money than I ever was able to make as a pizza deliverer — moved from Queens to Brooklyn, bought a brand new car and, last but not least, married Linda on a sunny NY afternoon. The green card was just a consequence of all this.
   Of course I faced some resistance. Linda’s mother, for instance, who never accepted our relationship, went to the police complaining that an alien had abducted her daughter. She was really out of her mind and it was very difficult to take her out of the Bellevue on time for the ceremony.
   Linda’s father wasn’t easy as well. The first time I went to have dinner in their house, I almost got killed. Everything because, absent mindedly, I decided to use my PT cap for the occasion, sort of a talisman I keep since Lula’s first political assembly in Governador Valadares em 1999.
   — Know what? — he said in a rage —, in my good old days in Vietnam I killed a lot of guys using this kind of cap!
   He didn’t wait for my excuses. Fast as a rat, he went to the wardrobe, took out a shotgun and pointed it straight to the red star in my forehead.
   — Dad! — cried Linda. — Don’t! 

  But it was too late. The former mariner pulled the trigger and I was very lucky he forgot to load the gun.
   Later on, after assuring himself that I wasn’t a Vietcong, he got calmer but had another fit when he found out I was a Brazilian and, what was worst, a Brazilian from Governador Valadares. If I ever find the bastard who spread the word that we from Valadares are all communists planning the fall of the American Empire he will see.
   It wasn’t different with those guys in the immigration office. Nobody believed that Linda actually was in love with me. For them, our marriage was just a dirty scheme to infiltrate another terrorist agent in the Big Apple.
   "What are you up to this time?" asked one of them. "The Empire State? The Central Park? The Wall Mart?"

   From then on, they started appearing in the most awkward hours of the day or night, just to check if our marriage was for real. Once I found one of them counting our dirty clothes in the laundry to check if we were really living together. Next day, I’ve found another checking our trash can for the same purpose. Damn.
   "What’s this black paste I’ve found in the bottom of your trash?" asked the agent with a sly expression in his eyes.
   "It’s tutu" I answered. "Black beans leftovers sautéed in pig fat, a bit of garlic, onions…"
   "Bullshit!" he snapped.
   "Well, it may look like bullshit, but it is very tasty and nutritious…"
   "Anyway, I will have to inform my superiors."
   And, without my consent, collected a bit of my tutu in an evidence bag.

Honeymoon was another issue.  Linda wanted Venice while I was was firmly decided to take her to know my mom in my hometown, in Brazil.
   "Nobody go to Brazil for a honeymoon!" she complained.
   "But Venice is too expensive!" I argued. "We don’t have enough for two days in a hotel without shower and half a gondola ride!"
   "Vegas?" she suggested.
   "We’ve been there last July" I said. "And you hated it."
   "Everything but Governador Valadares!" she cried. "I don’t know how I will put up with thousands of you at the same time. I guess I gonna get mad."
   "Don’t worry, kiddo" I said. "Most of them are here in the USA. The town is sorta empty nowadays. And I want to present you to my mom. You gonna love her."
   Finally, Linda agreed going to Brazil, provided that we went to Rio first.
   "I always wanted to meet Julio Iglesias!" she said. "Do you think he is gonna be in town next month?"
   "Julio Iglesias is Spaniard" I said. "And he lives in Miami, I guess. Maybe you would like to meet Roberto Carlos instead?"
   She frowned and said:
   "Not really. I hate soccer. All those faggots in tight shorts kicking a round ball. It’s disgusting." She looked at the cover of the booklet we were presented by the travel agent. A gorgeous air view of Rio de Janeiro, Sugar Loaf in the background. "Can we see Buenos Aires in this pic?" she asked, squinting at the city skyline.
   "I don’t think so. Buenos Aires is a bit too far.
   "Gee, I always thought Buenos Aires was sort of a Latin neighborhood in Rio’s downtown."
   "Sort of.  But not quite."
   "Is it true that there are snakes, tigers and mammoths walking by the streets?"
   "Who told you that?" 
   "My mom. She is really scared about my going to the wilderness."
   "So tell her that, as far as I know, there are no tigers in Brazil other than in the zoo, and that mammoths are extinguished for the past ten thousand years."
   "And what about the snakes?"
   "Don’t worry darling" I said, kissing the top of her head. "Our snakes are very tame. And most of them are far, faraway from Rio, thriving in our Congress, in Brasília."
(To be continued...)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Teen

Coisas de menino:
porre de vinho
namorada do vizinho
bons companheiros...!

Baco adolescente
não era diferente
ou mais ousado nas
tolices que fazia.

Mas foi um dia olhar
o que havia além
do que havia
pensar no que haveria
se não houvesse havido
se embarafustar por
caminhos tão compridos
que no fim ficou assim:
ser humano inconfundível
mas ainda bom amigo,
bons companheiros!

Mundo gato


HÁ MUITO E MUITOS ANOS, QUANDO os bichos ainda falavam, estabeleceu-se o seguinte diálogo entre um homem e um gato:
– Você sabe o que fez hoje? –  perguntou o homem.
– Vomitei – respondeu o gato.
– E diz isso com tal naturalidade?
– Gatos vomitam, você sabe.
– Não me refiro ao vomitar propriamente dito – disse o homem, visivelmente irritado. – Sabe aonde você vomitou?
– Em cima dos equipamentos eletrônicos da sala – respondeu o gato sem hesitar.
– E da capa do meu livro predileto... – acrescentou o homem.
– Que estava fora de lugar, em cima do aparelho de blu ray, que também foi atingido – concluiu o gato.
– Exato – disse o homem, contendo-se para não explodir.
– E agora deseja saber por que fiz isso.
– Obviamente.
O gato ajeitou-se sobre a prateleira de DVDs, rabo oscilando caprichosamente sobre a tela do monitor LED.
– Tenho bons motivos – disse ele. – Veja você: nós, gatos, somos animais muito limpos. Ninguém precisa nos ensinar aonde fica a caixa de areia. Não fedemos como os cachorros, mas também não precisamos tomar banho. Desde muito pequenos recebemos de nossas mães aulas intensivas de higiene e assepsia. Além disso, e ao contrário do que dizem as más línguas, somos muito leais e realmente amamos e respeitamos os nossos donos. Por isso, no dia em que um gato fizer sujeira no tapete da sala, pode estar certo de que ele esta à morte. Ou, então, que está muito, muito, mas muito aborrecido com você.
– E você está à morte ou muito aborrecido comigo? –interrompeu o homem com impaciência.
– Calma, não terminei o raciocínio – disse o gato enquanto coçava o pescoço com a pata traseira espalhando pêlos sobre os aparelhos da prateleira de baixo.
– Ora, seu saco de pulgas! Com quem pensa que esta falando?
– Contudo, a higiene cuidadosa de nossos corpos não passa de uma entre milhões de outras regras de sobrevivência que seguimos ao pé da letra desde tempos imemoriais. Graças a essas regras nós, gatos, frágeis que somos, conseguimos atravessar as eras e estamos tão disseminados pelo mundo. Somos sobreviventes. E, ao contrário de vocês, não estamos à beira da extinção.
– Fascinante – murmurou o homem enquanto tentava limpar os botões do equipamento de som.
– Não pretendo aborrecê-lo enumerando tais regras. Além do que, muito do que dissesse seria absolutamente incompreensível para um ser humano. Basta dizer que uma das regras mais sagradas que nós gatos preservamos desde o princípio dos tempos prega que “um gato deve sempre vomitar sobre as coisas mais preciosas de seus donos.”
– C-como? – exclamou o homem, atônito.
– Os gatos de Cleópatra vomitavam sobre as jóias dela – continuou o gato. – Os gatos de Liz Taylor também. Os gatos de Lady Gaga vomitam sobre as suas roupas de couro; e ela gosta.
– M-mas por que fazem isso?
– Muito simples. É claro que poderíamos vomitar em lugares mais convenientes, senão na caixa de areia, o que seria repugnante, ao menos no banheiro dos fundos, perto do ralo para facilitar a limpeza. Mas, se o fizéssemos,  estaríamos cometendo um erro terrível, que poderia nos custar a boa vida de que desfrutamos ao lado dos seres humanos.
– Não compreendo.
– Se eu vomitasse comportadamente, digamos, no tanque da área de  serviço.
– Ótima idéia! – animou-se o homem.
– Nada disso, péssima idéia. Tenho certeza de que logo você estaria brigando comigo da mesma forma. No fundo, o que os seres humanos realmente querem é que os gatos não vomitem nunca. Mas isso é impossível. Vomitar é uma de nossas regras de sobrevivência. Se não vomitamos, morremos entupidos por nossos próprios pêlos. Já ouviu falar em fecaloma?
– Porque se lambem compulsivamente!
– O que também é vital para nós.
– Mas se você podia vomitar em outros lugares, por que foi fazê-lo justamente sobre o equipamento eletrônico que eu acabei de comprar?
– Simples – respondeu o gato. – Quando eu vomito na sala de estar, sobre as suas coisas queridas, você briga comigo e me põe de castigo na área de serviço, certo?
– Certo.
– Mas se eu vomitasse na área de serviço, onde você me poria de castigo? Certamente me colocaria porta afora ou me atiraria pela janela da sala, não e mesmo?
O homem ficou sem resposta.
– Por isso – disse o gato em meio a um bocejo. – fique tranqüilo. Vou continuar vomitando nas suas coisas queridas, você vai continuar me prendendo na área de serviço e viveremos felizes assim, até que a morte nos separe...
E como quem sela um acordo de cavalheiros, saltou da prateleira, ganhou o chão  e correu para a área de serviço a trote de retirada.
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